"O G. sempre me dizia que, quando meu presente aparecer, eu vou saber e a outra pessoa também. Certa vez indaguei-lhe sobre caso não o visse chegar como seria. E ele me respondeu: 'Às vezes alguns presentes são extraviados, mas, sempre chegam e, se não tem alguém para receber, eles esperam por mais chuva ou sol que faça, por mais difícil e tortuoso que seja o caminho de entrega. O seu presente sempre será seu, assim, como você será o presente dele e, um dia ele chegará nas suas mãos com o laço de fita vermelho que você pediu'.
O último, não menos importante, item da minha famosa lista natalina é 'que venha por acaso, mas, não fique só no acaso'. E isso é justamente pelo poema do Saint-Exupéry que você me mandou.
Espero não ter deixado meu presente tempo demais ao relento, ocupada com outras coisas, e não tê-lo recebido. Espero, ainda, que não tenha retornado aos correios, porque a viagem de volta será longa..."
[Fragmentos]
[Presente passado - Isabela Taviani]
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
domingo, 18 de dezembro de 2011
Santa Chuva
Nem parece que é dezembro. Nem tem neve no quintal...
Tem chuva forte na varanda, vento frio no portão. A chuva lava e leva a água que molha a face e um pouco mais. Encharca a alma.
Gélida, acorda e move, te faz querer abrigo. Uma marquise, uma capa, um chapéu, uma barreira, um escudo, uma represa. O meu guarda-chuva quebrou faz tempo e é melhor esperar... passar.
Tem gotas cravejando o meu teto de vidro, pesadas. Tum, tum, tum, crak! Algumas entram pelas frestas de rachaduras recentes e molham, pingam e pingam sem parar. A chuva lava e leva um pouco de mim, um pouco de você.
Lá se vão alguns minutos. Forte e mansa, calma e perigosa. Vai e vem. Foi. Molhou, passou, secou, acabou. A chuva lavou e levou a dor embora. E que venha o sol!
Nem parece que é dezembro. Tem chuva de verão, mas, não tem neve no jardim.
[Santa Chuva - Los Hermanos]
Tem chuva forte na varanda, vento frio no portão. A chuva lava e leva a água que molha a face e um pouco mais. Encharca a alma.
Gélida, acorda e move, te faz querer abrigo. Uma marquise, uma capa, um chapéu, uma barreira, um escudo, uma represa. O meu guarda-chuva quebrou faz tempo e é melhor esperar... passar.
Tem gotas cravejando o meu teto de vidro, pesadas. Tum, tum, tum, crak! Algumas entram pelas frestas de rachaduras recentes e molham, pingam e pingam sem parar. A chuva lava e leva um pouco de mim, um pouco de você.
Lá se vão alguns minutos. Forte e mansa, calma e perigosa. Vai e vem. Foi. Molhou, passou, secou, acabou. A chuva lavou e levou a dor embora. E que venha o sol!
Nem parece que é dezembro. Tem chuva de verão, mas, não tem neve no jardim.
[Santa Chuva - Los Hermanos]
sábado, 15 de outubro de 2011
Firmamento
O alarme soa:
Dias de chuva torrencial e frio, pode nevar durante a noite.
Por sorte, a gota que aqui pinga, irá pingar por aí também.
[Firmamento - Cidade Negra]
Dias de chuva torrencial e frio, pode nevar durante a noite.
Por sorte, a gota que aqui pinga, irá pingar por aí também.
[Firmamento - Cidade Negra]
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Meu caro amigo
Àqueles com quem compartilho os dias,
"Se eu tivesse mais alma pra dar, eu daria. Isso pra mim é viver!"
Parabéns por hoje!
Beijinhos,
Jo/Jô/Joca/Jojoba/ Oca/Joyce/Joyce Carla.
p.s.: Por isso, um dia Nando, aquela pessoa, disse que de nada vale a pena ter alma pequena...
[Meu caro amigo - Chico Buarque]
"Se eu tivesse mais alma pra dar, eu daria. Isso pra mim é viver!"
Parabéns por hoje!
Beijinhos,
Jo/Jô/Joca/Jojoba/ Oca/Joyce/Joyce Carla.
p.s.: Por isso, um dia Nando, aquela pessoa, disse que de nada vale a pena ter alma pequena...
[Meu caro amigo - Chico Buarque]
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Colorida e Bela
Um dia eu soube escrever e o fiz. Sobre euforias, tristeza, música e paixão, mas, nunca sobre vazio. Hoje, deveria deixar isso aqui em branco, preenchido ficticiamente por flash de sonhos perdidos, por vontades inconstantes ou por tempos que não voltam mais.
Às vezes o passado me assombra, em outras - e essas são a maioria- ele me faz sorrir. Pouco a pouco abri um vão - uma dessas falésias tectônicas moldadas ao longo de bilhões de anos - para criar este vazio, esta fissura. E, assim, este aqui esbranquiçou-se e as desventuras aventuraram-se por outros mundos.
Mas, fez-se a luz. Me reafeiçoei às linhas vazias, ao buraco branco dos dias, da minha poesia, me lembrei porque outrora decidi pelo esquecimento das palavras, dos pensamentos. Refleti sobre o porquê de não mais levar-me pela inconstância das consoantes e das vogais, das frases do fundo de côr, dos acentos, das vírgulas, dos sim e dos não, dos poréns e desses parágrafos com tanto significado. Finalmente percebi que todos esses dias foram preenchidos por uma coisa tão maior que explicaria toda fenda em qualquer destino mal traçado: minha vida foi preenchida por amor de uma forma tão pura e constante que, caso o seu olho enxergue momentos de ausência eu vejo - e posso até sentir - explosões coloridas de felicidade e corações flutuando pelo céu.
Eu, um dia, preferi a impensável constância do meu amor a das minhas letras. E o meu vazio-cheio se formou e permetuou-se de um jeito tão confuso e intrínseco que virou inimaginável. Não ter fórmula, certo, errado, poesia ou pesadelos, sim ou não - música muitas vezes aparece, mas, essa é outra questão. Existem apenas os dias do amanhã e o meu retorno.
O vazio continua cheio, o cheio é cheio e ponto final. A música é certa; a aventura, também. Porém, por vazio ser e "abranquecido"* estar, não me atraverei a compor mais nenhuma linha e deixarei o futuro destes parágrafos branco. Branco, claro e puro como deve ser toda a boa incerteza da vida.
*branco e aquecido
[Colorida e Bela - Pedro Mariano]
Às vezes o passado me assombra, em outras - e essas são a maioria- ele me faz sorrir. Pouco a pouco abri um vão - uma dessas falésias tectônicas moldadas ao longo de bilhões de anos - para criar este vazio, esta fissura. E, assim, este aqui esbranquiçou-se e as desventuras aventuraram-se por outros mundos.
Mas, fez-se a luz. Me reafeiçoei às linhas vazias, ao buraco branco dos dias, da minha poesia, me lembrei porque outrora decidi pelo esquecimento das palavras, dos pensamentos. Refleti sobre o porquê de não mais levar-me pela inconstância das consoantes e das vogais, das frases do fundo de côr, dos acentos, das vírgulas, dos sim e dos não, dos poréns e desses parágrafos com tanto significado. Finalmente percebi que todos esses dias foram preenchidos por uma coisa tão maior que explicaria toda fenda em qualquer destino mal traçado: minha vida foi preenchida por amor de uma forma tão pura e constante que, caso o seu olho enxergue momentos de ausência eu vejo - e posso até sentir - explosões coloridas de felicidade e corações flutuando pelo céu.
Eu, um dia, preferi a impensável constância do meu amor a das minhas letras. E o meu vazio-cheio se formou e permetuou-se de um jeito tão confuso e intrínseco que virou inimaginável. Não ter fórmula, certo, errado, poesia ou pesadelos, sim ou não - música muitas vezes aparece, mas, essa é outra questão. Existem apenas os dias do amanhã e o meu retorno.
O vazio continua cheio, o cheio é cheio e ponto final. A música é certa; a aventura, também. Porém, por vazio ser e "abranquecido"* estar, não me atraverei a compor mais nenhuma linha e deixarei o futuro destes parágrafos branco. Branco, claro e puro como deve ser toda a boa incerteza da vida.
*branco e aquecido
[Colorida e Bela - Pedro Mariano]
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Polaroides
Amarelou. Feito fotografia antiga, febre que não cura, dentes sujos de café. Vida em tons pastéis cor de sépia, como lembranças perdidas ou folha esquecida na gaveta. Amarelo ouro de tolo, amarelo cor de amargura, como sorriso mal feito ou vontade de esquecer. Amarelo-indecisão. Amarelou como fruta que perdeu a vez.
Amadureceu no plural a forma, os desejos e a menina. Amarelo-transformação: intenso de raios de sol no verão, tímido como sorvete docinho de abacaxi. Clareou como o dia. Ou, como idéia bem vinda - plim! -, iluminou. Fauvista! Feito quindim de Drummond ou estrada de Oz, estrela ou girassol. Amarelo alegria, tom luz no fim do túnel.
Amadureceu no plural a forma, os desejos e a menina. Amarelo-transformação: intenso de raios de sol no verão, tímido como sorvete docinho de abacaxi. Clareou como o dia. Ou, como idéia bem vinda - plim! -, iluminou. Fauvista! Feito quindim de Drummond ou estrada de Oz, estrela ou girassol. Amarelo alegria, tom luz no fim do túnel.
[Polaroides - Eliana Printes]
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