quinta-feira, 30 de julho de 2009

Polaroides

Amarelou. Feito fotografia antiga, febre que não cura, dentes sujos de café. Vida em tons pastéis cor de sépia, como lembranças perdidas ou folha esquecida na gaveta. Amarelo ouro de tolo, amarelo cor de amargura, como sorriso mal feito ou vontade de esquecer. Amarelo-indecisão. Amarelou como fruta que perdeu a vez.

Amadureceu no plural a forma, os desejos e a menina. Amarelo-transformação: intenso de raios de sol no verão, tímido como sorvete docinho de abacaxi. Clareou como o dia. Ou, como idéia bem vinda - plim! -, iluminou. Fauvista! Feito quindim de Drummond ou estrada de Oz, estrela ou girassol. Amarelo alegria, tom luz no fim do túnel.


[Polaroides - Eliana Printes]

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Carnavália

O melhor enredo de 2009, sem sombras de dúvidas.


[Carnavália - Tribalistas]

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Leve

A gente pede um cara legal e vem um mágico. Sorte!?


[Leve - Jorge Vercilo]

Grilos

Tenho um medo idiota que me consome e, às vezes não me deixa respirar. Também às vezes não me deixa dormir e não me deixa acreditar. São grilos que crio e chiam dentro da minha cabeça, atormentam meu sono e os meus dias. Mas, você, mesmo sem querer, me faz acreditar que as coisas são possíveis, é questão de adaptação. Só espero que eles não se transforme em dragões de komodo com sua baba ácida e venenosa. Que eles regridam e virem pequeniníssimos mosquitinhos gentis: zumbidos apenas enquanto durmo, enquanto saem de fininho da minha mente fértil.


[Grilos - Mariana Machado]

Eu vou estar

Você estará. Estará nas minhas vontades e faltas, estará aqui. E você será. Será a minha companhia, do amanhecer - na minha vontade de contemplar teu sono e poder sentir que está tudo bem - ao anoitecer - onde apenas tua presença será necessária. No "bom dia", da minha preguiça prolongada; no "boa noite", da despedida indesejada. Nos meus sonhos e pesadelos, no melhor da minha realidade.

Dará um gosto especial de sexta-feira aos meus dias. Ocupará, sem permissão, minha semana e me roubará ao seu fim. Estará na minha repulsa por segunda-feira, minha mais nova síndrome de Garfield. Deixará louco o meu relógio, revolucionará. Vai estar no adiantar das horas, no arrastar do tempo. Será o meu horário de verão misturado com minha vontade de hibernar. Será todas as estações, será um ano inteiro em um mês. Estará na corrida contra o passar os dias para poder aproveitar o máximo de tudo até o fim. Estará no meu carpe diem.

Você vai estar na minha loucura, nos meus momentos de mania e descoberta, no gosto curioso de experimentar. Estará na minha mansidão. Não apenas na bonança, com também nas tempetades, estará nas minhas certezas duvidosas e angústicas idiotas. Estará na minha mente, principalmente, no meu pensamento positivo. E você será. Será minha prece mais bonita, por paz e em agradecimento. Se encontrará dentro do meu nada e do meu tudo.

Estará no meu modo de agir: no estado calado de ouvinte, na embriaguez solitária, na conversa descompromissada num bar, na dança sem compasso pré-fabricado. Vai estar por entre meu cheiro de roupa limpa, nas músicas que tocam no meu rádio, nas fotografias raras, nos meus cachinhos. Será o meu melhor grito de gol! Vai estar na minha vergonha mais gostosa. Vai estar nos momentos de tensão, nas situações de perigo, nas fugas alucinadas.

Vai estar no meu vício maluco de jogadora e amante. Na aposta perdida, na vitória antecipada, naquele blefe sem maldade, nas minhas comemorações. Estará na mistura de todas as emoções! Vai estar no sorriso involuntário, na alegria sincera, naquela lágrima teimosa, nos meus pensamentos mais terríveis, no arrepio sem fim.

Estará na minha direção, no erro imprevisto, no caminho do desconhecido. Te encontrarei na minha perca de rumo, na minha não-direção. Ainda assim, vai estar na vontade de estar junto, no momento companheiro. Estará no meu presente e no meu futuro, nos planos de agora aos daqui a logo mais. Vai estar nos meus desejos secretos, nas crenças incertas, vai estar listado naquilo que sempre quis e irá me surpreender por isso.

Eu? Eu vou estar boquiaberta a te observar e a não saber com agradecer por tudo o que anda acontecendo aqui. E eu vou ficar... Vou ficar com aquele gostinho de quero mais que só você consegue me porporcionar.


[Eu vou estar - Capital Inicial]

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Balada do louco

D.,

O barulho alto das batidas do seu coração é o meu prazer mais egoísta.

Bjks,
O.


[Balada do Louco - Ney Matogrosso]

Daniel na cova dos leões

P.,

Acho que agora, mais do que em qualquer outro dia, eu entendo o que me ensinaste sobre o medo. Realmente é impressionante como ele se converte em força de querer e poder além, de buscar o melhor. Porque o temor que sinto quando estou perto dele, só me faz desejar intensamente tê-lo ao meu lado, assim como o medo que tenho de quando estamos longe provoca igual sentimento. É essa sensação angustiante que me guarda, que me mostra a falta e me leva a buscar coisas boas. Pois, cada momento com ele é especial em sua forma única.

Eis me aqui com meus anseios transmutados em feras. Leões, tigres, assombrações maléficas, minha insegurança corriqueira. Com o coração na boca e lágrimas nos olhos por não querer que tudo escape assim por entre meus dedos, como já se foi. Porque gosto de pensar no futuro, com olhos no passado, como boa historiadora, e acabo receando não apenas por mim, mas também pelo querer dele. Porém, o mundo se torna pequeno sem aquela presença tão habitual e agora vivo num círculo vicioso onde o medo me dá vontade e a vontade, medo. Vontade-medo que me deixa ansiosa para continuar.

Decidi aproveitar o caminho do desconhecido ao invés de me desesperar seriamente por aí. Confesso que até fraquejei hoje, mas, segui firme e prometi não cair. Segui forte. É, o medo dá força sim, meu caro. Dá uma força extraordinária que eu nem sabia que poderia ter, muito menos nessa altura do campeonato. Justamente por me fazer bem como faz, esses sentimentos se misturam e me confudem. Só que desta vez a confusão não é vontade de jogar tudo pro alto, é vontade de querer mais, sentir mais.

Tá tudo certo como deveria estar, tudo se misturando e acontecendo no ritmo que deveria ser. E a cada dia que passará, eu irei tremer de ansiedade para poder estar junto dele; de angustia por não nos falarmos; de dor nas hora que tiver que chorar de pavor dos novos rumos; de medo por não quer o não. É o turbilhão de loucuras sãs que a gente só consegue sentir direito no íntimo, que me permiti ao ouvir o coração dele gritando alto. Tudo é, de fato, uma coisa só por aqui. Não dá para separar o que faz bem ou mal, distinguir a minha força do meu medo. E apesar de quase precipitar neste instante, estou feliz: ele me faz "bem mal" e, no fundo, nada mais importa.

Obrigada,
C.


[Daniel na cova dos leões - Legião Urbana]